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Contrariando a lógica da adição: por que subtrair também pode ser estratégico?


Quando adicionamos contatos que não conhecemos no Linkedin, a culpa é da evolução?


Na obra "Subtração: a inexplorada ciência do menos" (tradução livre, ainda sem versão em português), Leidy Klotz oferece uma proposta contraintuitiva por meio da tese que em nossa incessante busca individual e coletiva pelo progresso, frequentemente negligenciamos a opção subtrair.

 


Vivemos em uma era que se convencionou chamar de Antropoceno, onde a atividade humana é força dominante que impacta a saúde de nosso planeta. Uma era marcada pela preferência por adicionar em vez de remover, enraizada em nossos instintos biológicos, em nossas estruturas culturais e, não menos importante, em nossas economias orientadas para o crescimento. Nesse contexto, o autor defende que a verdadeira inovação e sustentabilidade poderiam ser encontradas não somente acréscimo, mas também na subtração.

 


Ao ler "Subtração", sou relembrado das práticas de minha própria realidade, tanto no âmbito pessoal quanto profissional, que geralmente gravitam em torno da adição. Como esta é frequentemente mais acessível e visível do que a subtração, refleti sobre quantas vezes optei por adicionar — seja um novo livro, projeto ou item à minha rotina diária — sem considerar o potencial de subtrair.


 

A questão levantada por Klotz sobre se nossas resoluções de Ano Novo se inclinam para "fazer mais" em lugar de "fazer menos", também serviram como um espelho introspectivo, refletindo que na minha vida, na maior parte das vezes, valoriza o acúmulo e a soma em detrimento da simplificação e da subtração.

 


A obra não se limita a diagnosticar o problema; ela também oferece soluções práticas. Seja simplificando a legislação para tornar o governo mais eficiente, seja adotando práticas minimalistas em nossa vida pessoal, o autor mostra como a subtração pode ser um poderoso agente de mudança e de bem-estar.

 


No entanto, senti falta de o autor explorar mais a fundo as implicações práticas de suas ideias em escala global, especialmente em contextos de escassez. Em particular, a transição para uma abordagem mais subtrativa requer não apenas uma mudança de mentalidade, mas também reformas amplas em algumas de nossas instituições e sistemas. Além disso, embora o foco na subtração seja inovador, há momentos em que a adição é necessária e benéfica, uma nuance que é lembrada, mas às vezes subestimada no livro.

 


Enquanto profissional do campo de inovação social, percebo o livro como uma provocação contraintuitiva, porém valiosa, para desbravar caminhos menos trilhados, mas potencialmente mais inovadores, na busca por soluções para os desafios socioambientais complexos que enfrentamos.

 


Em um mundo onde 'mais' é frequentemente sinônimo de 'melhor', considerar um caminho para uma vida pavimentado com 'menos' pode ser revolucionário.

 


O que você precisa subtrair para prosperar?

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