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Entre platôs e abismos: escalando a montanha da maturidade na vida e no trabalho

Sempre achei curioso que os nomes de alguns cargos fossem complementados com os adjetivos júnior, pleno e sênior, numa tentativa de quantificar a experiência profissional. Ocorre que esses termos carregam uma imensa subjetividade, assim como as palavras coordenador, gerente e diretor, que refletem, muitas vezes, mais sobre a cultura da organização do que sobre a verdadeira capacidade do indivíduo.

 

Já trabalhei com profissionais tecnicamente júniores, mas que se comportavam como seniores, assim como já conheci profissionais tecnicamente sêniores, mas que transformaram seu LinkedIn no "meu querido diário".

 

Acredito que a senioridade no cargo tem mais a ver com a “escalada da maturidade”, e isso envolve como nos comportamos em todos os aspectos da vida. Tem mais a ver também com aspectos intrapessoais, interpessoais e socioemocionais do que com a universidade que você cursou, o MBA que fez, o cargo que ocupou, o projeto que gerenciou ou o código que programou.

 

E na minha pesquisa sobre os conceitos de maturidade, gostei das definições de Carl Jung, e Daniel Goleman. O primeiro defendia maturidade como o processo de desenvolvimento do verdadeiro eu interior, que passa a se diferenciar das influências sociais e familiares. Para ele, não era apenas sobre idade ou experiências, mas sobre a realização e aceitação do self autêntico.

 

Já Daniel Goleman, referência em inteligência emocional, interpreta a maturidade por meio da lente da autoconsciência, autogestão, consciência social e de habilidades de relacionamento. Para ele, uma pessoa madura é aquela que pode entender e gerenciar suas próprias emoções, além de se relacionar efetivamente com os outros, mostrando empatia e habilidades sociais.

 

Toda essa reflexão começou na quarta-feira passada, quando o meu Dropbox "relembrou" esta figura que salvei em 2012 em uma pasta que chamo de "inspiração", com subpastas temáticas. Normalmente a uso para me inspirar não só na escrita, mas no início em um dia, de uma reunião, de uma conversa ou até de uma decisão. Penso que essa figura mistura um pouco os conceitos de Jung e Goleman para ilustrar nossa escalada pela maturidade na vida, dividida em três estágios, ou platôs.





 

Características do primeiro platô, o vermelho: culpamos o mundo por nossos problemas; assumimos sempre o pior nos outros; diminuímos o esforço de outras pessoas; não encontramos falhas próprias; não assumimos responsabilidade pelas consequências de nossos atos; acreditamos que sabemos de tudo; levamos tudo para o lado pessoal; somos obcecados por status e por aí vai.

 

Na transição, quando alcançamos (ou se alcançamos) o segundo platô, passamos (passaríamos?) por uma fase de que eu chamo de "amaciamento". Curiosamente aqui passamos por transformações entre as quais, a maior importante, é aceitar, genuinamente, que não somos perfeitos.

 

O último platô da maturidade não é alcançado por todos. Aqui passamos (passaríamos?) a respeitar as inteligências e opiniões diferentes das nossas; compartilhamos problemas com outras pessoas com mais facilidade; compreendemos que sempre saberemos pouco; passamos a ser mais gratos pelo que nos acontece; nos corrresponsabilizamos pelos problemas do mundo; focamos em construir relações; queremos ajudar mais as pessoas, conhecidas e desconhecidas; etc.

 

A jornada para a verdadeira maturidade, tanto pessoal quanto profissional, é complexa e multifacetada. Talvez devêssemos aspirar a ir além das definições tradicionais de senioridade, explorando o autoconhecimento e autodesenvolvimento, pois, no fim das contas, a verdadeira maturidade se revela não só no que e como fazemos nosso trabalho, mas em como nos relacionamos conosco, com os outros e impactamos o mundo ao nosso redor.

 

Em que platô você está?

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